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O perigo da dor pós-operatória.



A dor pós-operatória é vista como frescura por alguns e por um preço a se pagar por outros.


E aí está o grande perigo! Menosprezar a dor pós-operatória.


Aqui neste artigo vou mostrar pra vocês os perigos de não controlarmos a dor depois da cirurgia plástica.


Mas antes disso, vou contar uma história.


Há alguns anos, atendi uma menina pequena, franzina e muito delicada. Durante a investigação ela se mostrou muito sensível e baseado nisso prescrevi uma boa dose de analgésicos pro seu pós-operatório.


Porém, sua sensibilidade a dor era maior que o esperado e, a dor veio forte após seu implante de mama.


Estas características de dor são muito particulares, algumas pessoas sentem mais e outras menos.


No caso desta paciente, a dor foi intensa e sua família achou que era normal e a aconselhou a aguentar a dor e não fui avisado.


O que aconteceu é que ela permaneceu com dor intensa por cerca de 6 dias até sua primeira consulta, sem comunicar nada.


E depois a dor diminuiu, mas devido a esta grande intensidade inicial ficou uma dor residual em queimação na lateral da mama.


E é justamente sobre isso que quero falar neste artigo: a falta de controle da dor inicial da cirurgia como fator de risco para o desenvolvimento de dores crônicas.


A história se repete com frequência. Pacientes com dores intensas, não controladas inicialmente que permanecem com desconforto no local por meses.


Vamos entender um pouco melhor porquê isso acontece:


Quando temos uma dor intensa e contínua por dias, a rota da dor, isto é a inervação que sai do local onde dói e que percorre o corpo e que atua em uma área específica do cérebro fica hiperativa.


Esta ativação desta rota faz com que o cérebro identifique este caminho como prioritário e o deixa ativo por tempo indeterminado.


Este mecanismo de ação serve para proteção porém causa um mal intenso!


Mesmo que não esteja mais doendo no local, esta rota de dor doente fica mandando estímulo ao cérebro e este recebe este estímulo com atenção exagerada.


O resultado disso se chama dor neuropática crônica.


Esta dor se manifesta como queimação, ardência, peso, desconforto e hipersensibilidade da pele no local onde foi a dor inicial.


O tratamento é fundamental para que se dessensibilize esta rota de dor. Ele é feito com medicamento e adesivos anestésicos e dura de 3 a 6 meses.


Depois de tratada a paciente não sente mais dor.


O grande perigo de não fazer este diagnóstico é que a dor crônica pode se manifestar de maneira sistêmica. isto é. causando sintomas em outras áreas do corpo.


A dor crônica libera uma série de hormônios do stress, como adrenalina e cortisol, além disso ela altera o humo, o sono, o apetite e até mesmo a memória.


Os hormônios liberados podem causar manchas na pele, flacidez de pele e até envelhecimento precoce.


A dor em um local pode ativar gatilhos de dor em outros, como nas articulações e coluna.


Muitas, mas muitas pacientes mesmo, procuram reumatologistas com sintomas de doenças autoimunes como dores, cansaço e manchas na pele e na verdade são portadoras de dor crônica não tratada.


Vemos com frequência pacientes fazendo explantes de próteses sem necessidade por achar que estão com a "doença do silicone" e na verdade tem dor crônica neuropática. E os sintomas não passam depois de retirar o implante pois a rota da dor permanece ativa.


Recomendamos fortemente que todos os sintomas sejam relatados pro médico, e não se deixe a dor exacerbar e virar crônica.


Encaminhe este texto para todas as pessoas que possam correr este risco, é fundamental e salva vidas, pois dor crônica leva também a depressão e desajuste social.

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